Teste da campanha mostra que produção evoluiu em relação ao game de 2019. Missões com erros nas mecânicas frustram ao causar mortes involuntárias. ‘Call of Duty: Modern Warfare II’ chega em 28 de outubro para consoles e PC
O retorno da série “Modern Warfare”, uma das mais populares da franquia “Call of Duty”, foi celebrada em 2019 ao trazer de volta o combate moderno e uma série de novas tecnologias que ofereciam gráficos realistas ao título da Activision. Isso fez com que a expectativa para “Call of Duty: Modern Warfare II”, que chega nesta sexta-feira (28) para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X/S, Xbox One e PC, fosse elevada em diversas potências.
O g1 jogou o modo “campanha” do game em acesso antecipado no Xbox Series X. Os modos multijogador online não estavam disponíveis até a publicação desta reportagem. Nos consoles de nova geração, o jogo roda com resolução 4K a 60 quadros por segundo.
Embora tenha o mesmo nome da versão lançada em 2009, o enredo é inédito. Não há a famosa fase do Rio de Janeiro e a polêmica missão “No Russian”, em que o jogador tinha a opção na história de, disfarçado ao lado de terroristas, abrir fogo contra pessoas em um aeroporto.
A história do modo “campanha” diverte, traz momentos em que a adrenalina sobe com desafios bem interessantes ao jogador que, aliado aos gráficos de altíssima qualidade, foca na boa troca de tiros. Este é o foco desse novo “Call of Duty”: tiros precisos e cada arma com sua peculiaridade — o jogador realmente sente a diferença em cada uma delas. Por outro lado, a história desinteressante, objetivos repetitivos e alguns problemas nos controles em determinados momentos não fazem o título fazer justiça ao nome que leva.
Realismo da guerra moderna
A franquia “Modern Warfare” trouxe novas tecnologias visuais em 2019 que foram aprimoradas nesta sequência, principalmente no PC e nos consoles de nova geração. Para os cenários, foi usada fotometria: a equipe fotografou locais, objetos, tecidos e mais para transportar ao game. Com isso, cenários e armas são mostrados com grande fidelidade. Uma das fases que se passa em Amsterdã, na Holanda, é uma das que mais impressiona.
Imagem da missão de Amsterdã em ‘Call of Duty: Modern Warfare II’
Divulgação/Activision
A iluminação, aliada à esta tecnologia gráfica, proporciona uma camada maior de realismo. Há reflexos e sombras que, inclusive, ajudam nas missões: quando você não quer ser visto, pode usar estes elementos para identificar os inimigos e eliminá-los ou passar despercebido.
Outra missão que chamou muito a atenção é uma que acontece em plataformas de petróleo e em um navio cargueiro em alto mar à noite durante uma tempestade. Além de o ambiente com ondas aumentar a dificuldade (você pode morrer esmagado por contêineres que andam para os lados no barco), a chuva e a escuridão são o ponto alto.
Nas missões, há cenários menores, para combates mais intensos, e outros bastante amplos, que exigem o uso de armas de longo alcance para eliminar os alvos à distância. Nos dois casos, o trabalho do estúdio Infinity Ward é primoroso e imersivo.
Nas armas, além de ter uma imensa oferta, detalhes como texturas de cada parte, reflexos e até ranhuras estão presentes. Como no game há mais momentos em que se interage com a água, as armas tiveram que ser adaptadas para trazer o realismo desejado. Um inimigo morre com um tiro de uma arma normalmente mas, se você estiver mergulhando e atirar para fora da água para atingi-lo, serão necessários mais tiros.
A água e o clima no game vão influenciar tanto as decisões do jogador quanto a eficácia das armas em ‘Call of Duty: Modern Warfare II’
Divulgação/Activision
Mas a história e os combates…
Se por um lado o visual é primoroso, o mesmo não se pode dizer da história e de algumas das missões. Enquanto as que seguem o padrão “Call of Duty” são bem executadas, oferecendo a ação esperada, quando o game tenta ser diferente, a execução peca.
Dou dois exemplos: em uma delas, você precisa dirigir e pular para outros veículos para atacar inimigos. Por conta de problemas de controle, muitas vezes o personagem não responde como o esperado e você morre por diversas vezes, sendo obrigado a voltar em um ponto anterior distante de onde estava. É bastante frustrante.
Em outra missão, o jogo exige que você deixe uma tropa inimiga passar sem que você seja visto. Ao chegar em um prédio lotado de inimigos, você precisa entrar e eliminar todos eles. Qualquer uma das opções (jogar gás lacrimogêneo pelo duto de ventilação ou atirar por janelas no telhado) alertam os inimigos que você deixou passar que já estão bem longe. Sem nenhum aviso, você começa a receber tiros e morre. E o pior é que a variedade de possibilidades que essa missão apresenta mostra que “Call of Duty” tem como tentar mudar suas principais mecânicas.
Novo ‘Call of Duty’ traz novamente uma ambientação em guerra fictícia na época atual
Divulgação/Activision
É justamente em algumas destas fases, em que o jogador tem a opção de escolher caminhos e outros modos de concluir os objetivos, e até usando recursos que encontra no cenário para a criação de itens para arrombar portas e criar bombas, que “Modern Warfare II” brilha.
O roteiro é bom, mas esperado. Enquanto tenta mostrar que na guerra não existe o bem contra o mal puro, as reviravoltas são esperadas e o grande inimigo é um tanto quando genérico.
Não pense que a campanha é ruim. As mais de 6 horas de jogo entretêm e trazem o que você espera do game: ação ao máximo e muito tiroteio. Contudo, não chega perto do game anterior ou do clássico de 2009 (que, inclusive, tem uma versão remasterizada). Vamos ver se o modo online, que não estava disponível para teste até a publicação desta reportagem, é tão bom quando o de “Modern Warfare” de 2019. E, claro, no dia 16 de novembro chega o battle royale “Call of Duty: Warzone 2”, que é gratuito.
Pergonagem Ghost está de volta em ‘Call of Duty: Modern Warfare II’
Divulgação/Activision
Fonte: G1 Entretenimento
