Bonnie Tyler diz que pensava que ‘Total Eclipse of the Heart’ não faria sucesso: ‘Um pouco longa demais’

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Cantora de 71 anos estreia no Brasil e se apresenta em oito cidades a partir desta sexta-feira (4). Ao g1, ela relembra bastidores no estúdio e gravando o clipe: ‘Odeio fazer vídeos, mas foi incrível’. Bonnie Tyler teve seus 50 anos de carreira eclipsados por seu maior sucesso. Na primeira vez no Brasil, com turnê que começa nesta sexta-feira (veja datas no fim do texto), ela promete cantar não apenas “Total Eclipse of the Heart”. A cantora galesa de 71 anos vendeu mais 100 milhões de discos também graças a sucessos como “It’s a Heartache” e “Holding Out for a Hero”.
Em entrevista ao g1, Bonnie uma cirurgia nas cordas vocais trouxe aspereza para a voz dela e relembra o trabalho com Jim Steinman (1947-2021), produtor americano responsável pelos maiores hits dela.
Ela relembra os bastidores da gravação da música e do clipe de “Total Eclipse of the Heart”. “Pode me colocar em um palco com um microfone e eu fico feliz, mas ficar correndo por aí gravando… é o tipo de coisa que me deixa maluca”, exagera, ao falar do vídeo um tanto surreal, que tem mais de um bilhão de views no YouTube.
A cantora também aprova a inclusão de Miley Cyrus no clube das divas com voz rasgada. “Quando eu era jovem, minha heroína era Tina Turner. E Janis Joplin. Essas eram o tipo de cantoras que realmente me inspiraram.”
A cantora galesa Bonnie Tyler nos anos 80 e em foto recente
Divulgação/Site Oficial
g1 – O que seus fãs podem esperar dos shows no Brasil?
Bonnie Tyler – Eu tenho uma grande banda e todos estão comigo há cerca de 30 anos, então nós somos como uma família na estrada e é sempre muito divertido no palco. Normalmente, todo mundo da plateia canta conosco, sabe? Eu vou cantar muitas das músicas antigas, algumas das novas músicas… Eu nunca me canso de cantar músicas antigas, os clássicos. Então, estamos ansiosos para ir ao Brasil pela primeira vez.
g1 – Você morou no Algarve, em Portugal. Aprendeu a falar português?
Bonnie Tyler – Todo mundo fala inglês lá e eu sou preguiçosa. É uma língua muito difícil de aprender. Eu até tentei estudar português online, mas é tão difícil. Os masculinos e femininos são muito complicados de e entender. Então, desisti.
g1 – Falando das músicas antigas, sou um grande fã de Jim Steinman. Então, gostaria de saber como foi trabalhar com ele.
Bonnie Tyler – Era meu sonho trabalhar com ele e quando eu disse para a gravadora “eu quero trabalhar com o cara que escreve para o Meat Loaf e produz o Meat Loaf”, eles disseram: “Você sabe quem é o Jim Steinman?” E eu disse: “Bem, sim.” Mas eles disseram que ele nunca toparia.
Felizmente, ele resolveu me oferecer “Total Eclipse of the Heart”, uma música que ele havia feito anos atrás. Eu acabei fazendo também álbuns com ele, um trabalho ótimo. Trabalhei com ele em Nova York e em vários estúdios. Foi maravilhoso. Infelizmente, ele faleceu no ano passado, mas escreveu duas das minhas músicas mais icônicas: “Holding Out for a Hero” e “Total Eclipse of the Heart”, que nós já comemoramos 40 anos, bateu 1 bilhão de views no YouTube…
Jim Steinman, produtor e compositor de ‘Total Eclipse Of The Heart’ que morreu em 2021, posa com Bonnie Tyler
Divulgação/Facebook da cantora
g1 – E como era o estilo dele produzindo? Ele ficava mais calmo ou era mais enérgico? Como você o descreveria?
Bonnie Tyler – Para ser honesta, você não pode dizer ao Jim Steinman o que fazer. Ele sabe exatamente o que quer, o que está na cabeça dele. Eu aprendi a música [“Total Eclipse”] só com um piano. Ele estava tocando e eu aprendi ao piano com o Rory Dodd cantando a letra direto de uma partitura. O Jim tinha escrito aquela música e eu não leio partituras.
Ele era muito lento no estúdio… mas foi maravilhoso e eu estava trabalhando com alguns dos músicos da E Street Band [banda de Bruce Springsteen] no álbum, o que foi emocionante também, sabe? E apesar de tudo, foi um grande momento nos anos 80. Eu gravei, foi um hit número um nos Estados Unidos em 1983, número um no Reino Unido e em muitos lugares pelo mundo.
Seis discos da cantora galesa Bonnie Tyler, que completa 50 anos de carreira
Reprodução
g1 – Qual foi sua reação quando ouviu pela primeira vez ‘Total Eclipse of the Heart’?
Bonnie Tyler – Achei maravilhosa. Eu também pensei que era um pouco longa demais e que nunca tocaria no rádio. E, de fato, Jim Steinman teve que editá-la a partir de quase oito minutos, foi para quatro minutos. Mas quando eu ouvi pela primeira vez… foi tudo “uau”. Que grande música, sabe?
g1 – Como foi gravar aquele vídeo?
Bonnie Tyler – Ah, eu odeio fazer vídeos. Eu odeio fazer vídeos, mas foi um clipe incrível e foi indicado ao Grammy disputando com Michael Jackson, por “Billie Jean”; e Irene Cara por “Flashdance”. Não ganhei o Grammy, mas fui indicada duas vezes para Melhor Música e Melhor Vídeo.
“É um vídeo incrível. Mas foi um trabalho difícil para mim, porque eu não sou disso. Pode me colocar em um palco com um microfone e eu fico feliz, mas ficar correndo por aí gravando… é o tipo de coisa que me deixa maluca.”
g1 – Ah, mas você atua bem no vídeo… Agora, a nova geração, os adolescentes estão publicando vídeos brincando com o clipe, muitos memes, reacts e coisas assim, porque as pessoas acham que o clipe é bem nonsense. Você gosta, acha engraçado?
Bonnie Tyler – Alguns deles são realmente bons. E o vídeo com a versão literal é muito bom… Quanto mais eles toquem a música, melhor!
g1 – Como você lidou com a pressão de ter que repetir um sucesso tão grande? Teve um lado ruim, porque as pessoas continuaram pedindo músicas parecidas?
Bonnie Tyler – Foi extremamente difícil lançar uma música depois dela. Eu tinha um álbum de sucesso, que também foi para o número um… mas foi difícil seguir a carreira, sendo honesta. Eu levei algum tempo até que “Holding Out for a Hero” viesse, no filme “Footloose” [em 1984]. Foi muito emocionante e eu adoro cantar essa música também.
g1 – Alguns críticos te chamavam de “versão feminina do Rod Stewart”. Você gostava disso?
Bonnie Tyler – Eu amava. Eu sempre fui uma grande fã de Rod Stewart. Então, por que não? Daí eu fiz um dueto com Rod Stewart alguns anos atrás [‘Battle of the Sexes’, de 2019]. Nós tivemos que gravar em estúdios separados, porque estávamos ocupados na época. Mas eu fiquei bem animada quando ele disse “sim”, que ele adoraria gravar comigo. Foi demais.
Capa do single ‘It’s a Heartache’, lançado por Bonnie Tyler em 1977
Reprodução
g1 – Como foi ouvir pela primeira vez a versão que ele fez para “It’s A Heartache”?
Bonnie Tyler – Bem, me avisaram sobre essa versão antes de ouvir ele cantando em Cardiff [no País de Gales]. Eu sou galesa e ele estava cantando em Cardiff, quando disse que iria cantar uma música de uma cantora local, Bonnie Tyler. “It’s A Heartache” é uma música natural para ele, não é? E ele faz uma versão adorável dela.
g1 – No início de sua carreira, você fez uma cirurgia para remover cistos nas cordas vocais. Você estava com medo de nunca mais cantar? Como foi reaprender a cantar?
Bonnie Tyler – Tinha nódulos, e tive que tirá-los das minhas cordas vocais. “Você não deveria falar por seis semanas”. Eu não conseguia fazer isso, simplesmente não conseguia ficar de boca fechada, sabe? No final, acabei voltando a cantar antes do que deveria, mas pelo menos ainda posso alcançar as notas agora. Mas foi um pouco assustador. Na verdade, minha mãe estava mais preocupada com isso do que eu, porque eu achava que ficaria bem. Mas minha mãe, como as outras mães, se preocupava demais: “Oh meu Deus! O que vai acontecer agora?”
“Mas acabou que a cirurgia nas cordas vocais foi uma coisa boa, porque os médicos colocaram um pouco mais de aspereza na minha voz. Foi quando eu tive meu primeiro disco de sucesso nos Estados Unidos, com ‘It’s a Heartache’. Era um pouco mais ousado, a voz era bem diferente de quando eu gravei ‘Lost in France’, alguns anos antes…”
g1 – Dava para ver a diferença na voz mesmo. E você poderia me dizer quais cuidados você toma para continuar cantando bem e manter sua voz boa?
Bonnie Tyler – Curiosamente, depois de fazer essa chamada no zoom com você, vou falar com meu treinador de voz. Eu ligo para ele antes de cada show, e fazemos exercícios pelo telefone. É muito importante e ele faz uma grande diferença na minha voz. Faço aulas com ele há cerca de 10 anos e faço isso o tempo todo. São três ou quatro vezes por semana.
g1 – Na sua opinião, quais artistas da nova geração têm a ver com você? Talvez Miley Cyrus, mas não sei se você concorda…
Bonnie Tyler – Aparentemente, Miley Cyrus disse que ficou bem feliz quando ouviu minhas músicas no começo da carreira dela, porque pensava que ela fosse a única cantora rouca. Ela disse que cantou muitas das minhas músicas. Mas para mim, quando eu era jovem, minha heroína era Tina Turner. E Janis Joplin. Essas eram o tipo de cantoras que realmente me inspiraram a querer ser cantora.
Bonnie Tyler em 1992
Divulgação
g1 – E qual sua opinião sobre Miley Cyrus? Você acha que ela consegue manter o legado dos cantores com esse tipo de voz rasgada?
Bonnie Tyler – Acho ótima. Eu a acho realmente ótima.
g1 – Você nasceu no País de Gales e eu gostaria de saber como ser galesa te afetou como artista. Existe algo diferente no seu som, em você como artista, por ser galesa?
Bonnie Tyler – Bem, você sabe que fica a apenas duas horas e meia do Aeroporto de Heathrow [na Inglaterra], né? Não é uma distância tão grande de Londres ou o que quer que seja, mas eu comecei cantando em clubes ali no País de Gales por uns sete anos antes de ser descoberta por um caçador de talentos que veio de Londres. Ele estava ouvindo uma banda no andar de cima, mas resolveu ir até o palco do térreo e me ouviu cantando. Ele voltou para Londres e contou aos compositores sobre mim e foi assim que consegui minha chance. Mas não sou a única estrela galesa, são muitos artistas de lá como Tom Jones, Catherine Zeta Jones, Manic Street Preachers, Stereophonics… Você sabe, somos muitos.
g1 – Claro, tem ainda o Super Funny Animals…
Bonnie Tyler – Ah, é mesmo!
g1 – Para terminar, que conselho daria para novas cantoras? O que você poderia dizer depois de 50 anos de carreira que ajudaria alguma cantora que está começando?
Bonnie Tyler – Vá atrás dos seus sonhos, porque eu queria trabalhar com Jim Steinman e estava fazendo country rock por cinco anos e, então, percebi que queria ir mais para o rock. Quando disse à minha nova gravadora que eu adoraria trabalhar com ele, pensaram que eu era louca. Eles achavam que Jim nunca trabalharia comigo, sabe? Eu disse: “Perguntem a ele, porque eu sei que posso fazer esse tipo de música”. Se pedirem e ele disser não, tudo bem, procuramos outra pessoa. Mas você tem que se apegar aos seus sonhos e seguir em frente. Acredite em si mesma. Minha mãe sempre me disse para acreditar em si mesma e eu acreditei em mim mesma, e fui até onde eu queria estar.
Bonnie Tyler no Brasil
4 de novembro – Tubarão (SC) Arena Multiuso Prefeito Estêner Sorato da Silva
5 de novembro – Santa Catarina, Hard Rock Live
11 de novembro – Curitiba, Teatro Positivo
12 de novembro – São Paulo, Tom Brasil
18 de novembro – Porto Alegre, Auditório Araújo Vianna
19 de novembro – Rio de Janeiro, Jeunesse Arena
26 de novembro – Goiânia, Goiânia Arena
27 de novembro – Salvador, Concha Acústica
VÍDEOS: QUANDO EU HITEI

Fonte: G1 Entretenimento