Bebeto Alves deixa pegadas na música gaúcha e um hit na voz de Ana Carolina ao morrer aos 68 anos

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♪ OBITUÁRIO – “Nas pegadas das suas botas, ele trouxe as ruas de Porto Alegre. E, na cidade dos seus versos, o sonho dos seus amigos”, sintetizou poeticamente a atriz Mel Lisboa ao aludir aos versos iniciais da música Pegadas (Bebeto Alves, 1987) parar anunciar a morte do pai nas redes sociais.
A atriz recorreu à letra da música-título do álbum Pegadas (1987), um dos títulos mais importantes da discografia de Luís Alberto Nunes Alves (4 de novembro de 1954 – 7 de novembro de 2022), o cantor, compositor e músico gaúcho imortalizado na cena musical dos Pampas com o nome artístico de Bebeto Alves.
Ainda que Bebeto tenha sido parceiro do conterrâneo Antonio Villeroy na criação de música propagada na voz da cantora Ana Carolina, Uma louca tempestade (2003), é inevitável recorrer à expressão-clichê longe demais das capitais ao fazer o inventário da obra desse artista nascido em Uruguiana (RS) e associado à música ouvida e consumida no Rio Grande do Sul, estado que sempre teve mercado independente, desenvolvido fora dos padrões e modas nacionais.
Internado em hospital de Porto Alegre (RS) para tratar câncer de pulmão agravado por embolia, Bebeto Alves saiu de cena na madrugada de hoje, 7 de novembro, três dias após fazer 68 anos.
Triste por si só, a morte do artista gera mais melancolia por se saber que, fora do sul do país, o Brasil ignora obra fonográfica expressiva, construída por Alves ao longo de 40 anos. Foram 18 álbuns lançados nesse período em trajetória iniciada com o disco Bebeto Alves (1981) e encerrada com Contraluz (2021), o derradeiro álbum.
Só que a história de Bebeto na música começou antes, em Porto Alegre (RS), cidade para a qual o então jovem futuro artista migrou em janeiro de 1970. Entre 1973 e 1974, Bebeto fundou o grupo Utopia com os irmãos Ricardo Frota e Ronald Frota, com os quais fazia som direcionado para o folk e o rock progressivo, gêneros em voga na época.
Com o fim do Utopia por volta de 1976, sem que o grupo tivesse sequer um registro fonográfico, Bebeto participou do show coletivo Volta em 1977 e integrou o elenco do álbum coletivo Paralelo 30, lançado em 1978.
Ao se lançar em carreira solo, o cantor e compositor passou a transitar por ritmos dos Pampas, como a milonga e a toada, com estética mais quente e eventualmente mais pop do que o som do conterrâneo Vitor Ramil.
Nesse início, o cantor emplacou a música Quando eu chegar (Bebeto Alves), lançada em single editado em 1983. Contudo, esse relativo sucesso foi insuficiente para abrir as portas da indústria do disco para Bebeto. Quase toda a discografia do artista foi editada de forma independente ou por selos de circulação restrita.
Mas as pegadas estão lá, em álbuns como Notícia urgente (1983), Novo país (1985), Milonga de paus (1991), Paisagem (1993), Bebeto Alves y la milonga nova (2000) e Devoragem (2008), entre outros títulos. E as pegadas dessa vasta obra jamais serão apagadas, como concluiu Mel Lisboa ao se despedir do pai na rede social.

Fonte: G1 Entretenimento