Derrubada de árvores em prédios públicos liga alerta para déficit de arborização e formação de ilhas de calor

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Flagrantes foram feitos próximo aos prédios do Tribunal de Contas Estadual e da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). Corte de árvores nativas precisa de autorização do município. Morador denuncia corte de árvores na frente da Unitins e TCE, em Palmas
Um morador de Palmas denunciou a recente derrubada de várias árvores por órgãos públicos da cidade. Os flagrantes foram feitos próximo aos prédios do Tribunal de Contas Estadual e da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). O corte da vegetação na área urbana da capital é comum e isso preocupa especialistas devido à formação de ilhas de calor.
Nas imagens é possível ver diversas árvores cortadas ou arrancadas, próximo ao local de passagem de pedestres ou estacionamento de veículos. As derrubadas teriam ocorrido no último fim de semana.
A Unitins afirmou que está passando por um processo de reforma e foi preciso retirar algumas árvores que estavam danificando a estrutura e os sistemas elétricos e de dados. A instituição disse que pediu autorização e vai manter outras dezenas de árvores que existem no local. (Veja nota completa abaixo)
O TCE afirmou que as árvores foram cortadas apresentavam risco iminente de queda e foram cortadas para prevenir possíveis acidentes envolvendo os servidores e os cidadãos que passam pelo local. Afirmou ainda que vai plantar seis mudas no local. (veja nota completa abaixo)
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O professor Renato Torres Pinheiro, doutor em ecologia, explica que o corte ou derrubada das árvores só pode ocorrer por motivos justificados.
“Normalmente essa supressão é autorizada pelo poder público quando existe uma legislação específica. No município de Palmas nós não temos uma legislação municipal, mas temos um plano de arborização que orienta o poder público sobre a tomada de decisão. Essa supressão só pode ser realizada mediante um laudo técnico”, explicou.
Árvores foram derrubadas ao lado de universidade
Divulgação
No prédio da Unitins a derrubada faz parte de uma obra de reforma e uma nova retirada estaria prevista para os próximos dias. A preocupação do morador que gravou as imagens e preferiu não ser identificado é de que o corte possa prejudicar a arborização da cidade causando impactos na poluição e na temperatura.
Em alguns casos o corte pode, inclusive, ser enquadrado como crime ambiental. Renato Torres explica que a derrubada de árvores na área urbana é um problema sério.
“Quando a gente vê que mais árvores estão sendo suprimidas sem a devida reposição é um problema muito sério. As árvores têm um papel muito importante na produção de oxigênio, umidade e sombra. A cidade de Palmas já tem temperaturas muito elevadas e acaba tendo a temperatura ainda mais elevada no ambiente urbano [com a supressão arbórea]”, disse.
Árvores sendo derrubadas em órgão público de Palmas
Reprodução
A Prefeitura de Palmas, por meio da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMA), informou que para a retirada de árvores nativas é necessário ter autorização, com abertura de processo e apresentação de documentação na FMA. Após início do processo, uma equipe da FMA é enviada para verificar a situação e tomar as medidas cabíveis.
Menos árvores, menos qualidade de vida
As árvores são de grande importância para todo o meio ambiente, pois atuam na regulação da temperatura, irradiação solar, umidade e na poluição do ar, além de deixarem a paisagem mais bonita.
“As árvores são o maior patrimônio ambiental que existe nas cidades. De forma genuína podemos expressar o conforto da sua sombra no período de verão na cidade de Palmas. Além de serem abrigos de pássaros, embelezam os espaços urbanos e nos dão a sensação de bem-estar”, comentou a bióloga e professora Conceição Previeiro.
A retirada das árvores faz aumentar a absorção e retenção de calor na superfície, aumentando a temperatura na área urbana e diminuindo a dispersão dos poluentes, como consequência da baixa evaporação.
Em Palmas a arborização parece elevada, mas na verdade há um déficit, pois grande parte da vegetação está em quadras em que não há loteamentos. “Nas ruas das quadras, por exemplo, nós temos um déficit de arborização muito grande”, comentou o doutor em ecologia.
Esse déficit acaba causando um efeito chamado de ilhas de calor, afetando a qualidade de vida, saúde e o bem-estar da própria população.
“Em Palmas já foi comprovado cientificamente que existem muitas ilhas de calor. Ilhas de calor quer dizer que nós temos um excesso de áreas construídas, de concreto e de asfalto, e um número reduzido de árvores. Isso faz com que a temperatura nestes locais seja mais alta que a média da temperatura do entorno”, explicou Renato Torres.
Ele destaca ainda que quando existe a supressão autorizada e justificada é preciso haver a reposição. “Se ela está em conflito com algum equipamento público e não puder ser podada, por exemplo, a supressão é autorizada, mas deve ser feita a reposição por outra espécie mais apropriada para aquele ambiente”.
O que diz a Unitins e TCE
A Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) está passando por um processo de reforma e melhora na estrutura física em sua Sede Administrativa. Diante disso, a retirada de algumas árvores que estavam no prédio se deu por conta da constatação de diversos episódios em que a estrutura e os sistemas elétrico e de dados estavam sendo danificados.
Vale ressaltar que as árvores retiradas estavam com tamanho desproporcional, afetando negativamente a estrutura elétrica, o sistema de dados e a segurança predial.
Em um episódio recente, durante fortes chuvas no dia 05 de outubro, nosso banco de dados ficou fora do ar por conta de uma pane elétrica ocasionada pela queda de árvores antigas que já estavam comprometidas. Isso afeta as aulas e o trabalho de cerca de 4 mil pessoas que compõem a comunidade acadêmica (alunos, professores e técnicos administrativos) e que dependem do servidor de internet e dados que estão concentrados na Sede Administrativa.
Ressaltamos que as solicitações de autorização ambiental já foram protocoladas junto aos órgãos competentes.
A universidade reitera o comprometimento e a consciência da preservação ambiental, pauta amplamente defendida e pesquisada na Unitins. As outras dezenas de árvores que existem no prédio serão mantidas e preservadas.
Tribunal de Contas Estadual
O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) esclarece que a empresa responsável pela jardinagem da Corte realizou podas preventivas em várias árvores que ficam no entorno dos prédios e três delas, que apresentavam risco iminente de queda, foram cortadas para prevenir possíveis acidentes envolvendo os servidores e os cidadãos que passam pelo local.
Vale ressaltar que nos próximos dias serão replantadas seis árvores no local.
O Tribunal reforça sua preocupação com a preservação do Meio Ambiente e a importância dele no dia a dia de todos os cidadãos, por isso, mantém a manutenção dos jardins de forma regular para que todos que transitam pelo local possam se sentir seguros.
Árvores foram cortadas em órgão público
Reprodução
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Fonte: G1 Tocantins