Pessoas pretas e pardas têm menos empregos e salários menores no TO, diz pesquisa do IBGE

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Dados mostram retrato da desigualdade entre a população branca e negra no Tocantins. Levantamento traz recortes sobre mercado de trabalho e distribuição de rendimento, condições de moradia e patrimônio, entre outros. Pessoas caminhando em avenida de Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Os tocantinenses pretos ou pardos ganham, em média, R$ 1,1 mil a menos que trabalhadores brancos em postos de trabalhos formais e informais no estado. Essa parcela da população também é mais afetada pelo desemprego, informalidade, pobreza e tem condições de moradia mais precárias.
Todos estes indicativos são demonstrados na 2ª edição do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento traz recortes sobre mercado de trabalho e distribuição de rendimento, condições de moradia e patrimônio, educação, violência, representação política e ambiente político dos municípios.
Desocupação e informalidade
Segundo o levantamento, em 2021 a taxa de desocupação (força de trabalho desempregada) no Tocantins atingiu 10,3% para os brancos, 14,1% para os pretos e de 15,1% para os pardos. No ano anterior, esses percentuais tinham alcançado 8,2%, 11,5% e 12,0%, respectivamente.
A taxa de subutilização também é maior entre os pretos (31,7%), pardos (31,8%) do que entre os brancos (25,3%). O termo é utilizado para pessoas que trabalham menos do poderiam por diversos fatores.
Como o desemprego tem afetado mais pretos e pardos, essa população também acaba sendo maioria entre aqueles que buscam o trabalho informal.
Em 2021, cerca de 60 mil tocantinenses brancos estavam na informalidade, enquanto os pretos e pardos nesta mesma situação eram 279 mil. Apenas em Palmas, o IBGE estima que 16 mil brancos e 40 mil pretos ou pardos trabalhavam informalmente.
Renda dos trabalhadores
Todo esse cenário impacta diretamente no rendimento do trabalhador tocantinense. A média de rendimentos no estado, considerando o trabalho formal e informal, chegou a R$ 2.059 em 2021.
Aplicando o recorte por cor ou raça, a desigualdade se torna perceptível. Enquanto o rendimento dos ocupados brancos chegou a R$ 2.957, os pretos (R$ 1.764) e pardos (R$ 1.853) receberam um valor bem menor.
O rendimento médio domiciliar per capita da população branca (R$ 1.483) também se mostrou bem superior ao verificado para as populações preta (R$ 973) e parda (R$ 947). Conforme o IBGE, é uma diferença que se mantém desde o início da série histórica em 2012.
Outra situação verificada pelo levantamento é que homens mantém uma renda maior que as mulheres, sejam eles brancos, pretos ou pardos.
Outros indicadores
Os dados publicados pela pesquisa também demonstram um maior percentual de pretos e pardos vivendo abaixo da linha da pobreza ou da extrema pobreza, bem como enfrentando uma situação maior de insegurança no quesito moradia.
“Os domicílios das populações preta e parda têm menos acesso a saneamento e menor número de cômodos, então isso reflete em um valor menor desses domicílios”, explica o analista do IBGE Bruno Perez.
Para o professor e cientista social Ygor Leite, os dados são reflexos do racismo estrutural e da falta de políticas públicas que se refletem em diversas áreas da vida dessa população, como na educação e moradia.
“A gente tem vários quadros que vão refletir em números nacionais devido a um processo de formação histórica da sociedade brasileira em que o racismo e o machismo são uma base de estruturação desta sociedade. Isso vai se refletir em vagas em escolas, vagas em concursos públicos, em universidade e também vai se refletir na hora de arrumar um emprego como demonstra os dados”, disse.
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Fonte: G1 Tocantins