Alessandra Leão sopra ‘um vento de lá’ para saudar Gal Costa em show que manteve aceso o público do festival ‘Radioca’ em Salvador

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♪ SALVADOR (BA) – Quarta das seis atrações do primeiro dia da sexta edição do festival Radioca, a cantora, compositora e percussionista Alessandra Leão apresentou na noite de ontem, 12 de novembro, show potente, em certos momentos até ritualístico, com som produzido por mix de sintetizadores e tambores.
Ao harmonizar texturas e timbres orgânicos e sintéticos, Leão reciclou gêneros musicais como ciranda, coco e maracatu, ritmos associados a Pernambuco, estado natal dessa artista revelada como integrante e uma das fundadoras do Comadre Fulozinha, grupo recifense no qual também emergiu Karina Buhr.
Em carreira solo desde 2006, a cantora ocupou um dos dois palcos armados na Fábrica Cultural, no bairro da Ribeira, em Salvador (BA), para sediar o sexto Radioca, festival de médio porte já tradicional no calendário cultural da cidade.
No primeiro dos dois dias do festival, marcado por saudações dos artistas a Gal Costa (1945 – 2022), cantora que enlutou o Brasil ao sair inesperadamente de cena na quarta-feira, 9 de novembro, Alessandra Leão apresentou o show Acesa, baseado no álbum homônimo lançado pela cantora em novembro de 2021 com repertório autoral formatado pela artista em estúdio em parceria com Caê Rolfsen, arranjador e coprodutor do disco.
Em turnê pelo Brasil desde dezembro de 2021, o show Acesa chegou azeitado ao Radioca. À frente de banda que incluiu o produtor musical Guilherme Kastrup na bateria e MPC (e na direção musical dividida com Leão) e Sofia Freire e Tamiris Silveira nos sintetizadores, a cantora seguiu roteiro aberto com Campo de batalha e pautado por músicas que combinaram altivez feminina – “Escute bem / No meu relógio / Sou eu quem digo / Que horas são”, advertiu a artista nos versos da ciranda A hora é minha (2021), música composta e dedicada por Alessandra Leão para Lia de Itamaracá – e alta carga de espiritualidade.
A propósito, a saudação a Gal Costa com o canto de Pé de baobá (Alessandra Leão, 2021) representou pico de emoção na apresentação da artista pernambucana no sexto Radioca em número também dedicado por Leão a amigos que partiram. Após contar que imaginou o espírito de Gal encantado no mar de Salvador (BA), ao chegar à cidade para o festival, Leão bateu o tambor e fincou no roteiro Pé de baobá – música de versos como “Só finda quem esquece / Do canto, o canto / Que deixou / Sopra um vento de lá / Tu, pé de baobá / Comeu, bebeu, dançou” – antes de entoar o refrão de Divino maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968).
Com boa presença cênica, Alessandra Leão soprou ventos do nordeste do Brasil e, ao cantar músicas autorais como Borda da pele (2021), manteve aceso o público do primeiro dia do sexto festival Radioca.
♪ O colunista e crítico musical do g1 viajou a Salvador (BA) a convite da produção do festival Radioca.

Fonte: G1 Entretenimento