Homem internado 16 vezes em menos de um ano vive drama para fazer cirurgia no HGP

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Procedimento para trocar aparelho fixado no pescoço para ajudar na respiração. Em todo estado são mais de quatro mil pessoas aguardando cirurgias eletivas. Homem é internado cinco vezes e mesmo assim volta para casa sem fazer cirurgia
O Raimundo Paixão está vivendo um verdadeiro drama enquanto espera um procedimento no Hospital Geral de Palmas (HGP). Ele foi internado 16 vezes em um ano e teve a cirurgia marcada em quatro oportunidades, mas todas foram canceladas por falta de material. Em todo estado são mais de 4 mil pessoas na fila de espera.
Ele é de Alvorada, no sul do estado, e precisa trocar um aparelho que fica no pescoço e facilita a chegada do ar aos pulmões. Essa situação começou depois de um acidente de trânsito.
“Tem mais ou menos um ano que nós estamos nesse processo aqui no HGP. Já viemos 16 vezes e essas 16 vezes ele ficou internado. A última foi no dia 18. Só que quando chegou ao centro cirúrgico não foi feito por causa da falta desse tubo em T”, disse o Antônio Marcos Pereira, sobrinho do paciente.
A cirurgia foi novamente marcada e a família teme que novamente seja cancelada. A cada tentativa o Raimundo fica mais abalado.
Homem teve cirrurgia cancelada várias vezes por falta de material
TV Anhanguera/Reprodução
A situação também acaba afetando toda a família, que precisa viajar mais de 300 quilômetros todas às vezes. “Não é a penas a pessoa que sofre, a família sofre, os amigos sofrem. Todo mundo tá sofrendo com essa situação e todo mundo tá vendo que é um verdadeiro descaso”, lamentou.
A Secretaria Estadual de Saúde enviou uma nota informando que o paciente está sob cuidados da equipe multidisciplinar e que está concluindo um processo de compra desse equipamento que ele precisa para a cirurgia, mas não deu prazo e nem uma data de quando esse procedimento será feito.
Fila de espera
Mais de quatro mil pessoas estão na fila de espera por cirurgias eletivas no TO
Mais de quatro mil pessoas estão aguardando na fila por uma cirurgia eletiva no Tocantins. A espera é marcada por dores, ansiedade e medo. A Nilza Neiva, por exemplo, está há três anos convivendo com dores e sangramentos.
Ela tem 41 anos e descobriu que o motivo das cólicas e todo o desconforto são miomas no útero e endometriose. Em julho, a Justiça determinou a realização do procedimento, mas até o momento nada aconteceu.
“Estava com todos os exames prontos, mas devido à espera de um ano o médico não pode fazer com os exames vencidos. Não tem mais previsão”, disse.
Casos como da Nilva se repetem por todo o estado. As cirurgias eletivas foram retomadas de forma gradativa após a pandemia da Covid-19. Segundo a SES, neste ano foram mais de oito mil procedimentos realizados e muitas vezes a demora na cirurgia seria causada pelos pacientes.
“Pacientes ou não comparecem no exame que foi marcado ou não conseguimos localizar esses pacientes por telefone, por e-mail ou com a secretaria municipal de saúde. Até aproveito a oportunidade para pedir que a população fique atenta e faça o recadastramento nas unidades básicas de saúde, principalmente as que têm cirurgias agendadas”, disse o secretário de saúde Afonso Piva.
Segundo ele, o desafio em 2023 será reduzir essa fila e fazer com que os pacientes realizem as cirurgias no mesmo ano em que derem entrada no pedido. Em relação à Nilva, afirmou que ela é a décima da fila de espera. “Nós próximos 30 dias ela vai fazer essa cirurgia se tiver apta porque tem que fazer os exames cirúrgicos também”, afirmou o secretário.
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Fonte: G1 Tocantins